Capitulo 2 – Aos vinte e sete
São Paulo
2011– Casa dos Saurí

Olavo se levantou,estava cedo porem o trabalho o esperava,era um executivo com uma carreira brilhante,todos os respeitava,havia ganhado vários prêmios e isso o fez auto suficiente.Olavo sabia que era o melhor em tudo que fazia,os mais novos queriam ser como ele e os mais velhos tinham medo de perder seus lugares.
Seu telefone tocou.
___Alô! Disse ainda sem despertar totalmente.
___Amor sou eu!Estou ligando para lembrar você do seu aniversario,não se preocupe estou cuidando de tudo.Disse feliz.___ Preciso fazer compras ir no cabeleireiro...
___Ta bom Samara faz o que você achar melhor!Interrompeu Olavo.
___Vou usar seu cartão viu amor,bye!
Olavo caminhou ate o banheiro, as pressas escovou os dentes e com o mesmo pique tomou um banho.Estava ficando cada dia mais maduro,Olavo nunca havia se imaginado aos vinte e sete anos porem não se sentia muito diferente a quinze anos atrás,sua pele clara,cabelos loiros escuros,olhos verdes ainda continuava como sempre. Logo desceu a longa escada da sua casa.
___Bom dia filho ...Disse sorrindo Carmem.
___Oi mãe ...Cadê o papai?
___Já foi para a empresa,disse que tem um novo projeto para ser apresentado á ele,parecia animado!
Olavo se sentou na mesa que transbordava cores com vários sucos,bolos.
___Será que vai valer mesmo a pena,ir tão cedo para a empresa.
___Seu pai é macaco velho nesse ramo filho,sabe quando um projeto vale a pena.
___Talvez velho de mais...Sussurrou irônico Olavo.
___O que acha se nós falarmos de você e da sua empresa.
___Não é minha ,mãe,sou apenas um executivo...Indagou
___O executivo mais cobiçado a talentoso de São Paulo,filho todas as empresas estão de olha em você...Sorriu.___Inclusive a do seu pai.
Olavo não respondeu.
___Porque não me diz que projeto é esse que será apresentado ao papai hoje!Pediu sorrindo Olavo.
Carmem desviou o olhar.
___Porque ta fazendo isso Olavo!Você e seu pai prometeram que não deixariam a vida profissional de vocês se misturarem com a nossa vida pessoal...Sussurrou tensa.
___Não seja infantil mamãe!O meu pai nuca soube separar as coisas,sempre que me ver por baixo é ele quem está fazendo essa guerra aqui em casa.
___O seu pai nunca quis te ver pra baixo filho!Você é a pessoa mais importante pra ele Olavo...Sussurrou Carmem,acariciando a mão de Olavo.
___Pois não parece!Se afastou.___As vezes acho que ele nem me ama como filho!Disse se levantando,caminhou ate a sala de estar pegando sua maleta.
___Olavo espera! Chamou Carmem,porém o jovem saiu batendo a porta sem olhar para trás.

Samara caminhava junto com sua mãe,Cintia, pelo shopping,um pouco atrás vinha o segurança,o qual estava carregando varias sacolas.
___Olha mamãe,o que acha de levarmos aquele berço para o bebe?Perguntou Samara entrando na loja
___Você já comprou um berço querida...Sussurrou Cintia chegando logo atrás da filha.
___Olavo e eu queremos o melhor para o bebe mamãe,vou comprar os dois o que ele achar mais bonito agente fica!Sorriu a filha.___Vou levar o berço!Avisou Sâmara entregando o cartão de credito para a vendedora.
___Não sei porque comprar um berço de 3000 reais e outro de 3500...Balbuciou a senhora.
___Mamãe,não me irrite!Sibilou
___Senhora!Chamou a vendedora.___Seu cartão foi recusado!
Samara sentiu como se uma fenda abrisse sobre seus pés.
___Tenta de novo querida,você sabe com quem ta falando,meus cartões não tem limites.
___Desculpe senhora porem eu já tentei 5 vezes...
Samara engoliu seco.
___Eu pensei melhor não vou querer o berço,não gostei da cor...Indagou Samara, aspira pegou o cartão da mão da vendedora e saiu pisando duro com sua sandália de salto agulha.
Samara e Cintia caminhavam pelos logos corredores do shopping sem nada dizer uma a outra.Samara se sentia fraca,suja,humilhada depois que seu cartão foi recusado numa das lojas de criança mais baladas de São Paulo.
___Filha isso acontece com todo mundo...Sorriu Cintia
___Eu não sou todo mundo mãe! Eu não quero e nunca quis ser todo mundo.
___´É por isso que você sofre Samara,você precisa aceitar quem você é! E parar de querer ser a melhor,a escolhida,a linda,a gostosa...Isso só vai fazer você sofrer.
Ao ouvir o conselho de Cintia,a moça parou.
___Se você hoje pode ir em todas as festas luxuosas,tem carro,bolsas de 10,000,00 reais é porque a sua filha aqui Dona Cintia sempre quis ser a melhor e não mediu esforços para isso acontecesse,então me poupe do seu falso moralismo.
Sibilou Samara,continuando a andar.

Banco NESSA


Olavo entrou seu escritório,o dia dava indícios que não seria agradável e o executivo transbordava mau humor em sua fisionomia.O telefone do seu escritório tocou.
___Sim!
___Sr. Olavo seu pai está aqui!
Olavo ficou sem reação afinal seu pai era dono da empresa concorrente e jamais o visitara antes.
___Deixe-o entrar...Sussurrou ainda sem entender.
Lourenço entrou no escritório do filho sem nenhum pudor,parecia estar tranqüilo.
___Bom dia meu filho...Sorriu
___O que faz aqui?Perguntou ríspido, Olavo.
___Será que eu não posso ter orgulho do meu filho,vir no seu trabalho conhecer seu escritório,sua secretaria...Sorriu Lourenço.
___Nós dois sabemos que o senhor nunca se importou com as minhas vitórias ,seja direto pai e diga porque veio ate o meu escritório.
___Eu vim fazer uma proposta a você Olavo.Balbuciou Lourenço sentando-se frente a seu filho.___Quero que você venha trabalhar na minha empresa!Disparou.
Olavo ficou sem reação por alguns instantes.Logo sentiu a raiva falar mais alto que a razão.
___É muito fácil não é pai? Me convidar para trabalhar com o senhor,sendo que logo que formei não pude contar com o seu apoio!Exclamou Olavo.___O senhor como qualquer pai devia ter me dado uma chance de mostrar meu talento mas não me fez passar por todos aqueles testes junto com todas aquelas pessoas,para que no final pudesse me desclassificar como se eu fosse um qualquer.
___E o que você tinha de diferente dos outros?Nada,porem agora que conquistou seu espaço no mundo dos negócios eu vim aqui para te convidar...Venha trabalhar comigo?
Os olhos de Olavo marejaram de ódio.
___Não pai...Desta vez quem não quer sou eu
___Você é idiota!Sibilou.___Somos o maior banco do Brasil,como pode recusar.
___Pesquisas recentes apontam que o NESSA está em quarto lugar no rancking de bancos no Brasil,uma posição muito animadora para um banco de apenas oito anos não?Sorriu Olavo
Lourenço se levantou mantendo a classe porem não escondia o desapontamento.
___Ainda vai se arrepender Olavo...Murmurou.___E você ainda se diz meu filho?Sibilou andando em direção a porta.
___Não se preocupe eu nem lembro mais disso...Sussurrou Olavo.
Lourenço por sua vez fechou a porta.
Olavo sentiu as lagrimas que vieram ao seus olhos porem não aceitava que elas rolassem pela sua face.
___Posso entrar?Perguntou uma voz feminina e suave
___Claro Marina,entre por favor...Sorriu Olavo.
Marina que também era executiva do NESSA,tinha conquistado também o posto de amiga de Olavo.Sempre muito elegante a executiva era magra,cabelos castanhos,pele morena cor de mel,os olhos castanhos escuros,esbanjava beleza.
___Vi seu pai saindo...Fiquei preocupada,vim saber como você esta.
___Meu pai esta cada dia pior; sem limites, Marina,será que alguém o viu?Fico preocupado,algum fofoqueiro pode falar algo distorcido ao Senhor Modesco.
___Fique tranqüilo Olavo ninguém o viu,eu garanto.
Olavo estava sem lugar,sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento.
___Preciso tomar um ar...Sussurrou Olavo saindo de sua sala.
Marina correu ate o outro lado da mesa de Olavo,olhou alguns papeis,abrira algumas gavetas porem uma estava trancada.
___Droga...Sussurrou,pegou o telefone.___Não encontrei nada,preciso de mais tempo.Murmurou.

[CONTINUA]

quarta-feira, 26 de maio de 2010 Posted in | | 0 Comments »

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